quinta-feira, 19 de junho de 2008

Proximidade

Na noite clara de outono
nasceu uma lua redonda,
brilhante como prata
O meu espírito de cão sem dono
uivou feito vira-lata
Senti a saudade de algo novo
que só vontade de ti
não mata
O que quer meu coração?
Pois você e a lua,
a ele, já não basta
Eu busco algo que não se quebra
ou despedaça
Não se compra, tampouco
obtém de graça
É algo que vem d'alma,
e não da carcaça
Às vezes, sinto sua presença
noutras, parece que nunca passa
mas quando eu quero tocar...
esconde-se e disfarça
Sinto seu silêncio estilhaçando a vidraça

Transfiguração do Pensamento

Isso é bom
mas não dá prá todo mundo
E tudo não é bom para todos
Mas, bom não é legal prá todo mundo!
Ainda assim, pobre de quem não tem
pois querer é só querer.
Querer mais poder, é ter,
de qualquer forma você pode querer outra coisa
Não queira igual seja Universal
não João ou Juvenal
não tem de lata vai de pau
tecido, plástico, não faz mal
Só não esqueça...
como você não tem igual.
Troque a ordem, inverta, converse, converta,
dobre a faixa direita, esquerda, passe o sinal,
faça desordem, mude, mexa, tire do normal
saia do físico, vá para o espiritual...
Volte, pague o preço
e curta a viajem que pode ser legal
Mas não esqueça...
como você não tem igual.

Cidade dos Mortos

Eles estão aí
a andar, mortos, pela rua
preocupados com seu destino
no desatino de quem quer logo chegar
Eles não têm mais tempo
antes do tempo acabar
dentro do peito, o sonho
– Que Deus nos livre – não se pode sonhar
O tempo das nossas vidas é curto
e temos que trabalhar
Pagar contas: luz, água...
a cachaça que bebemos no bar
A única conexão que mantemos,
com o sonho,
de que um dia a nossa vida pode mudar
Ao menos a tontura faz a nossa mente girar
e esta ilusão é boa
de não estar no mesmo lugar
Na loucura nos permitimos sonhar
e através dos sonhos, e da vontade de melhorar
que encontramos a saída
para viver esta vida
que vivemos a matar .

Doente de Fome

E essa fome
que a vontade não come
come, come e não passa,
ou some
Mesmo sem a vontade está lá a fome
Já não faz mais nada
não corre, dorme...
nem come
passa por todo o tempo sem ver
cego de tanta fome
O pensamento perde o espaço
desiste... e abandona o homem
no piloto automático
sua mente só sente fome

Sem Pensar

Me dê uma cabeça
e eu imaginarei todo o resto.
Quem sou além dos defeitos?
Quem sou então além do casaco,
do forte e do fraco,
do cheiro,
da célula ao átomo?
Quem na verdade sou?
Se não aquilo que é meu,
o resto,
as sobras das trocas da vida.
Quem sou eu
depois do desgaste dos dias de chuva,
que homem sou
se não o das rugas?
Quem seria eu de verdade
se não tão covarde e com menos vaidade?
Quem de fato seria
se não quem eu jamais imaginaria...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

QUASE

Erros quebram encantos,
medos fecham as portas
Palavras são só palavras
e não trazem quase nada de volta

Pra quase tudo há perdão,
difícil e soprepor o medo
e deixar o amor juntar os pedaços
quebrados do coração...